Soberania digital: até que ponto e como é possível alcançá-la?
A soberania digital tornou-se um dos grandes temas de nossa época. Ela é invocada pelos governos, pelas grandes empresas, pelos especialistas em cibersegurança e até mesmo pelos cidadãos preocupados com a proteção de seus dados pessoais. No entanto, por trás dessa expressão hoje onipresente esconde-se uma realidade bem mais complexa do que parece.
Cada vez que uma organização anuncia querer tornar-se “soberana”, ela dá a entender que seria possível retomar o controle de seu destino digital. Mas o que significa realmente essa promessa? Pode-se verdadeiramente alcançar uma independência tecnológica completa em um mundo no qual cada software, cada infraestrutura e cada rede se apoiam em milhares de interdependências?
A questão merece ser formulada de outra maneira. O verdadeiro objetivo talvez não seja eliminar todas as dependências, mas sim compreender aquelas que aceitamos, aquelas que podemos dominar e aquelas que representam um risco estratégico para nosso futuro.
Durante muito tempo, a informática consistia essencialmente em adquirir softwares, servidores e licenças. Hoje, ela tornou-se um imenso ecossistema no qual cada decisão tecnológica acarreta uma multidão de consequências invisíveis. Escolher um sistema operacional, um provedor de nuvem, uma plataforma de inteligência artificial ou um ambiente de desenvolvimento já não equivale apenas a selecionar uma ferramenta; é também aderir a uma cadeia completa de serviços, normas, formatos, mecanismos de segurança e modelos econômicos.
É então que nasce a confusão entre independência e soberania.
Ser soberano não significa viver sem depender de ninguém. Uma empresa depende de seus funcionários, de seus fornecedores, de seus clientes e de seus parceiros. Um governo depende de suas alianças comerciais, de suas infraestruturas e de seus cidadãos. Mesmo as maiores potências tecnológicas do planeta dependem de cadeias de suprimento mundiais que não controlam inteiramente. A dependência é uma realidade inerente a toda sociedade moderna.
A verdadeira soberania reside em outro lugar. Ela se mede pela capacidade de conservar uma liberdade de decisão quando as circunstâncias mudam. Uma organização é soberana quando pode adaptar seus sistemas, substituir um fornecedor, retomar o controle de seus dados ou modificar sua estratégia sem comprometer sua sobrevivência. Ao contrário, quando uma única decisão tomada do outro lado do mundo pode colocar em xeque a continuidade de suas operações, sua autonomia torna-se amplamente teórica.
Essa nuance é fundamental, pois questiona uma ideia amplamente difundida segundo a qual as tecnologias abertas bastariam, por si sós, para garantir a soberania digital. Os softwares de código aberto constituem um avanço notável e oferecem uma liberdade considerável. Todavia, um código-fonte aberto não garante que a organização possua as competências, os recursos ou os meios de fazê-lo evoluir conforme suas próprias necessidades. A dependência simplesmente muda de natureza: por vezes ela deixa um fornecedor comercial para se deslocar rumo a uma comunidade de desenvolvedores, um integrador especializado ou um pequeno grupo de especialistas cuja disponibilidade se torna, ela também, crítica.
É contudo possível buscar o máximo de independência para sua organização ou sua empresa. É preciso cercar-se de pessoas que o acompanharão nesse caminho e que o ajudarão a precisar suas necessidades, a tomar decisões com pleno conhecimento de causa e no seu interesse (e não no delas).
Nossa equipe Quantum Beyond é aquela que se compromete e poderá fornecer a você esse serviço, que lhe permitirá mirar alto e longe, para atingir o mais alto grau de independência digital possível.
