Proteja seu capital financeiro com capital digital
Quando uma empresa avalia um investimento, a primeira pergunta que surge quase sempre é a mesma: qual será o retorno sobre o investimento? Essa reflexão é perfeitamente legítima. Cada dólar investido deveria idealmente contribuir para melhorar a rentabilidade, acelerar o crescimento ou reforçar a competitividade da organização.
Algumas decisões de negócio, no entanto, respondem a uma lógica diferente. Seu objetivo não é gerar imediatamente novas receitas, mas proteger o valor que já foi criado. Ninguém questiona a pertinência de depositar os recursos financeiros de sua empresa em uma instituição financeira em vez de guardá-los em um cofre ou debaixo do colchão. Da mesma forma, ninguém espera que os prêmios de seguro, os sistemas de proteção contra incêndio ou os serviços de controles financeiros gerem lucros. Seu verdadeiro valor está em sua capacidade de preservar os ativos da empresa quando ocorre um evento imprevisto.
A cibersegurança pertence hoje a essa mesma categoria de investimentos estratégicos. Durante muitos anos, ela foi frequentemente percebida como uma despesa necessária, difícil de justificar já que não produzia diretamente novas receitas. No entanto, a evolução das ciberameaças transforma progressivamente essa percepção.
As organizações dependem atualmente de seus sistemas de informação para produzir, vender, entregar, comunicar, faturar, gerenciar seus funcionários e atender seus clientes. Seus conhecimentos, sua propriedade intelectual, seus dados financeiros, suas informações comerciais e seus processos operacionais constituem hoje uma parte importante de seu valor. Quando esses ativos tornam-se indisponíveis, são destruídos ou caem em mãos erradas, as consequências ultrapassam amplamente o âmbito das tecnologias da informação.
Os exemplos observados nos últimos anos demonstram que os ciberataques atingem todos os setores e todos os portes de empresa. Multinacionais como Jaguar Land Rover, Saint-Gobain, Change Healthcare, BRP, MGM Resorts ou Equifax sofreram perdas que vão de várias dezenas de milhões a vários bilhões de dólares. Mais perto de nós, empresas quebequenses como o Groupe Colabor viram um ciberataque desencadear uma crise operacional e financeira de grande porte, levando a uma reestruturação da empresa. As pequenas e médias empresas não são poupadas. Ao contrário, elas representam cerca de 43% dos ciberataques registrados em escala mundial, e aproximadamente 60% daquelas que sofrem um ciberataque de grande porte encerram definitivamente suas atividades nos meses seguintes.
Esses números ilustram uma realidade importante. Os cibercriminosos não escolhem suas vítimas apenas em função de seu porte. Eles buscam sobretudo organizações cujas defesas sejam mais fáceis de contornar ou cujas consequências de uma interrupção criem pressão suficiente para obter rapidamente um pagamento ou explorar informações estratégicas.
A verdadeira questão, portanto, não é mais saber se uma empresa gerará um retorno financeiro imediato ao modernizar suas práticas de cibersegurança. A questão consiste antes em medir o valor que ela protege. Qual seria o custo real de uma semana de parada de produção? Quanto valeria a perda de um contrato importante em razão de uma interrupção de serviço? Qual seria o impacto de um vazamento de propriedade intelectual, de informações financeiras, de dados biométricos ou de informações confidenciais a respeito dos clientes e dos funcionários? Quanto custaria a perda de confiança dos parceiros, dos investidores ou do mercado?
Essa reflexão ultrapassa, aliás, a cibersegurança apenas. Uma governança rigorosa dos conhecimentos, um melhor gerenciamento das identidades e dos acessos, uma arquitetura de segurança moderna, uma preparação para a inteligência artificial, uma documentação estruturada e uma governança eficaz dos ativos informacionais contribuem todas para reduzir os riscos ao mesmo tempo em que melhoram o desempenho global da organização. Esses investimentos raramente produzem um benefício espetacular de um dia para o outro. Eles reforçam progressivamente a resiliência, facilitam o crescimento, aceleram os projetos, melhoram a qualidade das decisões e protegem os ativos que realmente criam o valor da empresa.
Acreditamos que esses investimentos devem ser avaliados como se avalia qualquer estratégia de proteção de ativos. Não se trata unicamente de evitar um ciberataque. Trata-se de preservar a capacidade da organização de dar continuidade às suas atividades, de proteger seus funcionários, de manter a confiança de seus clientes, de proteger sua propriedade intelectual e de sustentar de forma duradoura os investimentos de seus acionistas.
As organizações de melhor desempenho não se distinguem unicamente por sua capacidade de criar valor. Elas se distinguem igualmente por sua capacidade de preservá-lo. Em um contexto no qual os ativos digitais representam uma parcela cada vez mais importante da riqueza das empresas, proteger esses ativos torna-se tanto uma responsabilidade de gestão quanto uma decisão estratégica.
A Quantum Beyond acompanha as organizações para que a cibersegurança, a governança, a gestão dos conhecimentos, a inteligência artificial e a confiança digital deixem de ser percebidas como despesas inevitáveis e passem a ser vistas como investimentos destinados a proteger aquilo que a empresa possui de mais precioso. Pois o melhor retorno sobre o investimento nem sempre é aquele que cria imediatamente novas receitas. Às vezes é aquele que permite preservar de forma duradoura o valor, a perenidade e o futuro de toda uma organização.
