O trem quântico – Sétima estação: os que ficaram na plataforma
As grandes rupturas tecnológicas produzem frequentemente um fenômeno surpreendente. Quando suas consequências se tornam visíveis, muitos têm a impressão de que elas surgiram de repente. No entanto, olhando para trás, os sinais precursores estavam presentes havia muito tempo.
A computação pessoal, a internet, os telefones inteligentes, a computação em nuvem ou, mais recentemente, a inteligência artificial generativa seguiram todos uma trajetória comparável. Durante vários anos, essas tecnologias pareciam interessar principalmente a pesquisadores, a algumas empresas inovadoras ou a entusiastas. Depois, quase sem aviso, deixaram de ser temas de experimentação para se tornarem novas referências do mercado. É provável que a computação quântica siga uma trajetória semelhante.
Imaginemos uma organização que, durante vários anos, ouve falar dessa tecnologia sem realmente modificar suas prioridades. Os executivos sabem que o assunto existe. Leem alguns artigos, participam de certas conferências e concordam que será preciso se interessar por ele um dia. Os prazos ainda parecem distantes, os outros projetos já ocupam as equipes e nada parece justificar uma mobilização imediata.
Essa decisão parece razoável. Afinal, as urgências diárias são numerosas e os recursos permanecem limitados. Por que investir hoje em uma transformação cujos efeitos talvez só sejam perceptíveis daqui a vários anos? Enquanto isso, o contexto evolui progressivamente.
Os fornecedores começam a integrar novos mecanismos de segurança em seus produtos. Os organismos de normalização publicam recomendações que influenciarão as próximas gerações de softwares. As grandes instituições financeiras, os governos e certos setores industriais iniciam discretamente seus trabalhos de migração. Alguns concorrentes investem na capacitação de suas equipes e realizam seus primeiros inventários criptográficos. Nada disso provoca ainda uma ruptura visível. No entanto, a paisagem muda lentamente.
Então chega o momento em que um cliente exige novas garantias de segurança. Um parceiro comercial impõe padrões diferentes. Um edital de licitação exige uma conformidade que não existia alguns anos antes. As seguradoras reavaliam seus critérios de risco e os órgãos reguladores detalham suas expectativas. Em poucos meses, o que antes era prospecção torna-se uma exigência concreta.
A organização percebe então que não conhece precisamente o conjunto de seus mecanismos criptográficos. Ela descobre que certas aplicações se apoiam em componentes envelhecidos, que vários conhecimentos essenciais estão concentrados nas mãos de alguns poucos especialistas e que as interdependências entre seus sistemas são muito mais numerosas do que imaginava.
O verdadeiro problema não é a computação quântica. O verdadeiro problema é o tempo. As empresas que iniciaram sua reflexão vários anos antes não são necessariamente mais ricas nem mais bem equipadas. Elas não esperaram a urgência para compreender suas dependências, documentar seus ambientes e definir um roteiro. Dispõem agora do luxo de poder planejar suas decisões em vez de sofrê-las.
Ao contrário, aquelas que adiaram constantemente essa reflexão descobrem que os meses ganhos ontem tornam-se hoje anos perdidos. Elas precisam simultaneamente compreender seus sistemas, tranquilizar seus clientes, modernizar suas infraestruturas e desenvolver as competências que lhes faltavam.
A história econômica mostra que as grandes rupturas nem sempre recompensam as organizações mais poderosas. Elas favorecem frequentemente aquelas que souberam reconhecer os primeiros sinais da mudança e utilizar o tempo como uma vantagem estratégica. A preparação não elimina os desafios, mas evita que eles se transformem em crises.
A Quantum Beyond tem a convicção de que a verdadeira questão não é saber quais organizações adotarão as tecnologias de amanhã. Todas acabarão por fazê-lo. A diferença residirá na maneira como terão preparado essa transição. Algumas verão nisso uma evolução natural de sua estratégia. Outras terão a sensação de correr atrás de um trem que, no entanto, viam se aproximar havia anos.
Cada revolução tecnológica deixa inevitavelmente alguns viajantes na plataforma. Não porque lhes faltasse talento ou recursos, mas porque haviam subestimado a velocidade com que o mundo podia mudar. A melhor maneira de evitar esse cenário não é prever perfeitamente o futuro. Consiste em desenvolver, desde hoje, uma organização capaz de se adaptar a ele quando o próximo trem entrar na estação.
