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O trem quântico – Quarta estação: a viagem começa bem antes da partida

Quando observamos um trem deixar uma estação, temos naturalmente a impressão de que a viagem começa nesse instante preciso. No entanto, a partida é apenas a parte visível de um trabalho iniciado bem antes. Os itinerários foram planejados, as vias inspecionadas, as locomotivas mantidas, as tripulações preparadas e os horários coordenados. Quando as rodas começam a girar, tudo o que determinará o sucesso da viagem já está no lugar.

As grandes transformações tecnológicas seguem exatamente essa lógica. Elas muitas vezes dão a impressão de surgir da noite para o dia, quando na realidade são o resultado de anos de preparação, pesquisa e adaptação. As organizações que parecem reagir rapidamente são, muitas vezes, aquelas que haviam começado a se preparar muito antes de a mudança se tornar visível para todos.

Essa realidade é particularmente importante quando se trata de computação quântica. Muitas empresas ainda esperam saber a data em que essa tecnologia se tornará realmente acessível antes de se interessar seriamente por ela. Elas consideram que sempre haverá tempo de agir quando as primeiras soluções comerciais estiverem plenamente disponíveis. Essa percepção é compreensível, mas se apoia em uma ideia enganosa: a de que a preparação começa com a tecnologia.

A experiência das últimas décadas demonstra, porém, o contrário. A chegada da computação em nuvem não transformou apenas as infraestruturas de TI. Ela obrigou as organizações a rever sua governança, seus processos, seus modelos de segurança e, às vezes, até mesmo sua cultura de gestão. A inteligência artificial generativa seguiu uma trajetória semelhante. As empresas que hoje obtêm os melhores resultados com ela não são necessariamente as que utilizam as ferramentas mais avançadas, mas aquelas que já haviam desenvolvido uma cultura de inovação, uma governança de seus dados e uma capacidade de integrar rapidamente novas práticas.

A computação quântica se inscreverá, muito provavelmente, nessa continuidade. As primeiras organizações que se beneficiarão dela não serão as que possuírem as máquinas mais potentes. Serão aquelas que tiverem aprendido a compreender seus próprios sistemas, a documentar seus conhecimentos e a reduzir suas dependências críticas antes mesmo que as primeiras necessidades se tornem urgentes.

Essa preparação vai muito além das considerações técnicas. Uma organização que conhece precisamente seus ativos informacionais, que compreende as ligações entre suas aplicações, que documenta seus processos e que compartilha eficazmente o conhecimento entre suas equipes já dispõe de uma vantagem considerável. Ela poderá adaptar seu ambiente com método, porque saberá exatamente o que deverá evoluir e por quê.

Ao contrário, uma empresa cujo conhecimento repousa essencialmente sobre alguns poucos especialistas, cujos processos permanecem pouco documentados ou cujas decisões tecnológicas foram tomadas sem uma visão de conjunto corre o risco de descobrir que seu principal desafio não será a computação quântica em si, mas a complexidade acumulada ao longo dos anos. Quanto mais uma organização espera, mais essa complexidade se torna difícil de dominar.

Seria redutor, no entanto, acreditar que essa transformação diz respeito apenas às equipes de TI. As mudanças mais importantes serão, antes de tudo, humanas. Cada nova tecnologia questiona certos hábitos, modifica as maneiras de colaborar e obriga os profissionais a desenvolver novas competências. Essa evolução pode suscitar inquietações legítimas. As resistências à mudança nem sempre são sinal de uma recusa em inovar; elas traduzem muitas vezes a vontade de preservar uma expertise adquirida ao preço de muitos anos de experiência.

É por isso que as organizações mais resilientes raramente são as que investem apenas em tecnologias. Elas investem também em suas equipes. Elas favorecem a aprendizagem contínua, documentam seus conhecimentos, incentivam o compartilhamento de expertise e criam uma cultura na qual a evolução se torna uma competência em si. Essa capacidade de adaptação constitui provavelmente o melhor investimento que uma empresa pode realizar antes mesmo que a primeira mudança tecnológica se imponha a ela.

Mais uma vez, para a Quantum Beyond, a preparação é antes de tudo uma abordagem organizacional. As tecnologias evoluirão inevitavelmente, às vezes mais rapidamente do que o previsto. Em contrapartida, uma organização capaz de aprender, de compartilhar seus conhecimentos e de compreender suas próprias dependências manterá sempre uma vantagem. A verdadeira viagem começa, portanto, bem antes da partida. Ela começa no dia em que uma empresa decide se preparar, não para uma tecnologia específica, mas para um mundo no qual a mudança se tornará permanente.