MFA: rumo a uma nova geração de confiança digital
A autenticação multifator (MFA) melhorou profundamente a segurança dos sistemas de informação nos últimos anos. Ao acrescentar uma etapa de validação adicional no momento da conexão, ela permitiu reduzir consideravelmente os riscos ligados ao roubo de senhas e a numerosos ataques automatizados. Hoje, tornou-se um padrão de segurança na maioria das organizações.
No entanto, à medida que os ambientes digitais ganham em complexidade, uma nova realidade se apresenta. Os usuários precisam lidar com uma multiplicação de métodos de autenticação, de aplicativos móveis, de códigos temporários, de notificações de validação e de procedimentos que, embora eficazes, tornam-se por vezes uma fonte importante de atrito. Essa evolução levanta uma questão simples: é possível aumentar a confiança sem multiplicar os obstáculos para os usuários?
As tecnologias atuais baseiam-se principalmente na verificação de vários fatores de autenticação. Essa abordagem permanece pertinente e certamente continuará a desempenhar um papel importante durante muitos anos. Contudo, ela verifica essencialmente que uma pessoa possui um dispositivo, conhece um segredo ou pode confirmar sua identidade em um momento preciso.
As organizações começam agora a se interessar por uma abordagem diferente, mais centrada na avaliação do nível de confiança do que na simples multiplicação das provas de identidade. Essa evolução apoia-se em vários avanços tecnológicos, notadamente as chaves de acesso sem senha (Passkeys), os padrões FIDO2, as identidades descentralizadas, as provas criptográficas do tipo Zero-Knowledge, a análise comportamental, a avaliação dinâmica dos riscos e os certificados digitais de nova geração.
Em vez de exigir sistematicamente uma nova autenticação, essas abordagens buscam analisar o contexto global de uma interação. O nível de confiança pode assim ser estabelecido levando em conta numerosos elementos, tais como o dispositivo utilizado, os hábitos de conexão, o nível de risco, a integridade do ambiente, os direitos do usuário ou ainda as provas criptográficas disponíveis. Quanto mais elevado o nível de confiança, menos a experiência do usuário exige intervenções repetitivas. Inversamente, quando um comportamento incomum é detectado, mecanismos de validação adicionais podem ser acionados de maneira proporcional ao risco observado.
Essa abordagem também abre caminho para uma redução importante da dependência de determinados intermediários. As organizações poderiam progressivamente retomar mais controle sobre seus mecanismos de identidade, suas políticas de confiança e suas infraestruturas de segurança, permanecendo ao mesmo tempo compatíveis com os padrões abertos e com as soluções já presentes em seu ambiente tecnológico.
Essa visão inscreve-se naturalmente no desenvolvimento de uma Adaptive Trust Architecture (ATA) na Quantum Beyond; essa abordagem não busca substituir as soluções existentes, mas integrá-las em uma arquitetura mais inteligente na qual a confiança se torna um processo contínuo em vez de uma simples etapa de autenticação. O objetivo é permitir que as organizações melhorem simultaneamente sua segurança, sua soberania digital e a experiência de seus usuários.
A mais longo prazo, essa evolução poderia igualmente apoiar-se na inteligência artificial privada, nas arquiteturas Zero-Knowledge, nas identidades digitais soberanas e nas comunicações seguras de ponta a ponta, a fim de construir ambientes nos quais os usuários demonstrem unicamente o que é necessário, sem terem de divulgar mais informações pessoais do que o contexto exige.
A evolução da cibersegurança provavelmente não consistirá em exigir cada vez mais provas de identidade. Ela se apoiará muito mais na capacidade das organizações de medir, estabelecer e manter um nível de confiança adaptado a cada situação. Essa transição representa uma oportunidade de reduzir a complexidade para os usuários, reforçando ao mesmo tempo a proteção dos ativos digitais mais sensíveis.
Acreditamos que a confiança digital se tornará progressivamente um dos fundamentos da economia digital. As organizações que investirem desde hoje em arquiteturas de confiança evolutivas, soberanas e centradas no ser humano disporão de uma vantagem duradoura diante dos desafios da inteligência artificial, das identidades digitais e das novas formas de ciberameaças. Mais do que nunca, o futuro da cibersegurança passará por uma melhor compreensão da própria confiança, e não pela simples multiplicação dos mecanismos de autenticação.
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